segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Em contos de mulheres



Trabalho sério que minha amiga Helena Tonioli, psicóloga e psicodramatista, fará em 30/08/08.Clique na imagem para aumentar.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Gilberto Freyre tinha razão?


É intrigante constatar que o crescimento numérico da chamada igreja evangélica no Brasil praticamente não esteve acompanhada de avanços significativos quanto a sua relevância na sociedade.

Amar a Deus e as pessoas é o único imperativo cristão sem prazo de validade. Acredito que a relevância de ser cristão passa por aí. E amar, nesse contexto, não significa apenas se valer do proselitismo visando "ganhar almas", e sim de buscar formas para diminuir o sofrimento das pessoas enquanto vivemos por aqui. E a arte, embora possua apenas um fim em si mesmo, pode ajudar para que isso aconteça, em qualquer meio.

Na visão de Schopenhauer da arte, a contemplação seria uma forma de neutralizar o sofrimento existencial.

Muitas vezes pessoas que não levantam a bandeira do cristianismo exercem um papel de profeta, pois denunciam o que há de errado e injusto na sociedade. O sociólogo e antropólogo Gilberto Freyre acabou tendo esse papel em 1962, quando participou da Conferência do Nordeste, promovida pela extinta Confederação Evangélica Brasileira (CEB). O evento, um inusitado e raro encontro de pessoas ligadas ao protestantismo interessadas no engajamento social, contou com este, também inusitado e ilustre, palestrante que proferiu "O Artista – Servo dos que Sofrem".

Transcrevo 2 trechos que considero "de arrepiar":

"A despeito do crescente número de cristãos evangélicos em nosso país, ainda não apareceu o brasileiro de gênio, que nascido evangélico, criado em meio evangélico, identificado com a interpretação evangélica da vida e da cultura brasileira, se afirmasse no Brasil grande poeta ou grande escritor em língua portuguesa, ou compusesse música brasileira, marcada por esta interpretação ou por esta inspiração, ou o arquiteto também de gênio que desenvolvesse para as igrejas evangélicas do trópico, um tipo de arquitetura que não fosse nem a imitação do tipo católico, nem reprodução do protestante anglo-saxônico ou germânico."

"É curioso que até agora o cristianismo evangélico só tenha concorrido salientemente para enriquecer a cultura brasileira com insignes gramáticos: Otoniel Motta, Eduardo Carlos Pereira, Jerônimo Gueiros. É tempo de o cristianismo brasileiro evangélico ir além e concorrer para esse enriquecimento com um escritor do porte e da flama revolucionária, eu diria, de Euclides da Cunha; com um poeta da grandeza de Manoel Bandeira; com um compositor que seja outro Villa-Lôbos, que componha baquianas brasileiras que sejam interpretação ao mesmo tempo evangélica e brasileira de Bach. Também um caricaturista ou um teatrólogo revolucionariamente evangélico que pela caricatura ou pelo teatro denuncie abusos de ricos que para conservarem um privilégio de classe pretendam se fazer passar por defensores ou conservadores de tradições religiosas ou mesmo do que se intitula às vezes, pomposa e hipocritamente, civilização cristã."

Devo concordar que, passados quase 46 anos, a provocação ou o desafio que Freyre lançou ainda está por ser (co)respondida, ao menos com a relevância que ele imaginou. Grandeza, genialidade e flama revolucionária, dentre outras marcas.

Aliás, antes de esperar por um movimento subcultural evangélico, de gueto - comum nos dias de hoje, penso que ele propôs justamente o contrário: que aqueles identificados com a interpretação evangélica da vida marcassem e enriquecessem a cultura brasileira. Prá mim, isso ainda parece um sonho bom, mas abro espaço, via comentários no blog, prá receber indicações de expressões que contrariem a afirmativa de Freyre de que esse tipo de brasileiro ainda não nasceu.

Abraços.